DEZ ANOS DE CRIMINAL MINDS: UM DEPOIMENTO

Eu sou da época em que as novelas da Globo eram fascinantes. Naquela época, por volta dos anos 70, assistir novelas era uma religião. Ninguém as perdia, mesmo porque elas eram imperdíveis. CarinhosoGabriela, O Casarão, Os Ossos do Barão e tantas outras. Mas, também graças às novelas, tive acesso ao que na época chamava-se frequentemente de enlatados. Aqueles filmes e séries americanas que na ocasião passavam como um tipo de obra que comumente era amada e odiada na mesma proporção.

Os mais antigos os odiavam, porque eram uma espécie de lembrança de que não éramos capazes de produzir nosso próprio conteúdo e necessitávamos rebaixar-nos à “colonização americana”, aquela que nos impingia a necessidade de usar calças jeans e tomar Coca Cola, como todo bom americano fazia. Os mais jovens, porém, adoravam ver aquelas séries, cujas vozes dos personagens naquela época eram grosseiramente dubladas, mas que nos permitiam conhecer um pouco mais daquele distante mundo que existia “lá fora” (nesta época, onde telefones eram um luxo, o “estrangeiro” tinha gosto de mistério). Em 20 anos assisti de Mannix a A Feiticeira. De Agente da UNCLE a Waltons, de Dallas à Jeanne É Um Gênio, até que, por volta do final dos anos 80, descobri Chicago Hope.

Thomas Gibson e Mandy Patinkin contracenaram na série Chicago Hope, que foi ao ar de 1994 à 2000.

Thomas Gibson e Mandy Patinkin contracenaram na série Chicago Hope, que foi ao ar de 1994 à 2000.

Por que estou contando tudo isto? Porque foi acompanhando esta série que conheci um jovem Thomas Gibson (então com 29 aninhos).  Desde então, passei a acompanhar sua carreira em séries e filmes para a TV, o que, invariavelmente, me levou à estreia, cerca de outros 20 anos depois, de Criminal Minds.

Na noite de 22 de setembro de 2005, a série idealizada por Mark Gordon e Jeff Davis superou, como melhor estreia, a série Lost, que um ano antes estreava na casa dos 18,5 milhões de telespectadores, que por sua vez, superou a última melhor estreia do gênero, em 1995, com Murder One. Com 19,57 milhões de telespectadores, o episódio “Extreme Agressor” estreou na CBS com a promessa de invadir a mente de um criminoso em série para assim prever seus futuros passos e impedir novos crimes. E isso, em época de inúmeras séries policiais, era um grande diferencial e gerou muita expectativa.

A estreia de Criminal Minds superou em audiência a da série Lost.

A estreia de Criminal Minds superou em audiência a da série Lost.

Óbvio, em sua estreia eu já tinha internet (sim, discada), mas nem por isto era fácil vasculhar curiosidades e afins, logo, as informações acima foram conferidas muito mais tarde. Eu apenas sabia que era uma nova série que seria estrelada por Thomas Gibson, pois Dharma e Greg, seu último trabalho, havia sido encerrado (todas estas informações, a gente conseguia em revistas do tipo SCI-FI, TV Séries, Super Séries e alguma coisa também na SET, que era um publicação mais voltada a cinema. Revistas que colecionei por anos). Também reconheci o nome de Mandy Patinkin, pois ambos haviam trabalhado em Chicago Hope.

Thomas Gibson estrelou a sitcom "Dharma & Greg", ao lado de Jenna Elfman, de 1997 até 2002.

Thomas Gibson estrelou a sitcom “Dharma & Greg”, ao lado de Jenna Elfman, de 1997 até 2002.

Devo confessar o meu desapontamento inicial. O roteiro de “Extreme Agressor” até que se mostrou ousado e tentou levar a sério sua premissa. No entanto, com a difícil tarefa de inovar misturando-se à necessidade de apresentar e contextualizar muitos personagens regulares (eram, na verdade, seis agentes, JJ aparece apenas a partir do segundo episódio), deixou muita coisa a desejar e para mim foi apenas uma experiência comum. Mais uma série policial e ponto. Não devo ter sido a única a pensar assim, pois o resultado de um episódio apenas regular foi a queda vertiginosa da audiência nos episódios seguintes (de 1×02 a 1×05, pela ordem: “Compulsion”, “Won’t Get Fooled Again”, “Plain Sight” e “Broken Mirror”), com números girando entre 10,5 milhões e 12,5 milhões de telespectadores.

Reid, Hotch e Morgan em cena do episódio de estreia de Criminal Minds, "Extreme Agressor",

Reid, Hotch e Morgan em cena do episódio de estreia de Criminal Minds, “Extreme Agressor”,

Mas o carinho por Thomas e a ideia de um time que caça serial killers era tão empolgante que me obriguei a voltar a baixar o segundo, o terceiro, o quarto episódio, e assim, desenvolvi o delicioso vício de acompanhar Criminal Minds. Depois disso, veio o incrível grupo do Orkut, a internet ficou ótima e eu já não me contentava em assistir dias depois, queria assistir em tempo real com uma galera que transformava a comunidade do Orkut em Whatsapp em dia de episódio novo. Haviam também os chats com atores e diretores após a exibição (foram uns três com Thomas, uns dois com Joe, um com AJ, um com Paget e um com Matthew. Não me lembro se Shemar participou de algum). Era emocionante participar de um chat com um ator pelo Twitter, logo após a exibição do episódio. Era uma comoção e uma briga para poder participar. Chegavam a ter umas 200 pessoas no total e eles respondiam nossas perguntas. Isso era inacreditável!

Equipe BAU de Criminal Minds em sua 1ª Temporada.

Equipe BAU de Criminal Minds em sua 1ª Temporada.

Foi desta forma que me envolvi até o pescoço com Criminal Minds. Hoje faço reviews dos episódios, participo da gravação de um podcast, escrevo e leio fanfics e colaboro como posso com este blog incrivelmente completo sobre a série. CM teve altos e baixos, como tudo nesta vida, mas nunca me decepcionou. Me fez conhecer novos amigos daqui e de fora do país, me fez querer saber mais sobre assuntos variados explorados nos episódios e até os dias de hoje temo pelo dia em que acontecerá seu encerramento. Ela provou para mim ser muito mais do que apenas uma série com meu ator favorito.

Encarem este texto como uma homenagem a esta grande série, que superou inúmeras dificuldades, atravessou fases dificílimas, perdendo vários atores pelo caminho, além de roteiristas e o próprio produtor. Que tornou-se quase tão interessante nos bastidores quanto seus episódios e ficou marcada pela vez em que a CBS teve que engolir seu orgulho e recontratar duas de suas atrizes por pressão da audiência e diversas petições de alçada mundial via internet. Que, apesar de ter em seu encalço o tempo todo estreias nos mais diversos canais abertos, continua mantendo seu fiel público após 10 anos de exibição. E que, em minha humilde opinião, continua sendo a grande série que se propôs ser. A melhor em seu segmento.

Esta é minha experiência com Criminal Minds. E a sua?

Beijo no coração de todos os fãs de CM!!!

Redação: Débora Gutierrez Ratto Clemente

Revisão: Patrícia Angélica

Edição de imagens: Dayana Alves Coelho

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21 respostas em “DEZ ANOS DE CRIMINAL MINDS: UM DEPOIMENTO

  1. Parabéns Débora pelo artigo!!
    Esperamos que CM tenha mais alguns anos bons pela frente, pq mesmos com seus altos e baixo ainda tem muitos episódios que nós surpreendem.

  2. Parabéns, ótimo artigo.Criminal Minds não é apenas a melhor em seu segmento, mas me parece ter um estilo único, além de assuntos interessantes um elenco que transmite uma química excelente. Só não entendo porque ela apesar de tudo ainda não tem o destaque merecido.

    • Obrigada querida. Na verdade acho que isto se explica um pouco pelo fato de ser um série que não atinge especificamente um público alvo desejado pelos patrocinadores, que visam a faixa etária de 18 a 39 anos. Embora a série tenha público de todas as idades, o fato de sua temática ser pesada e com conteúdo violento ( o que nos EUA é um problema maior do que aqui, por exemplo) acaba atraindo um público mais velho, o que faz diluir sua média e torná-la menos interessante para estes patrocinadores. Este é meu palpite. Bj!!!

  3. Arrasou Débora …

    Também sou da época dos “enlatados” … quantas saudades …
    Por um instante relembrei a dificuldade que era “saber mais” sobre nossa série preferida, nosso ator preferido … era difícil até saber qual temporada estava, se havia mais … etc …

    Quanto a Criminal Minds, já não gosto mais da série tanto quanto gostava antes, na verdade, hoje, acompanho bem mais o trabalho de vocês do que a série em si, e tenho muito orgulho de ter feito parte disso um dia … a Equipe Criminal Minds BR é sem dúvida a melhor equipe com a qual trabalhei em séries … Vocês são ótimas …

    O melhor motivo para assistir Criminal Minds: Fazer novos amigos …

    • AWWWW ❤ Regina, muito obrigada pelo carinho. Você sempre será da equipe Criminal Minds BR! Somos muito gratas a você e a tudo que fez pela Criminal Minds Brasil. Você faz uma falta… Antes era mesmo mais complicado obter informações sobre qualquer programa ou série. Nesse ponto a internet ajudou muito mesmo. Criminal Minds foi mudando e evoluindo junto com seus personagens, mas a 10ª temporada deu um fôlego para a série novamente.
      Beijos

    • Oi, Regina! Não consegui assar antes por aqui! Obrigada elo comentário! Nós, que somos desta época, cansamos de nos divertir vendo o pessoal arretado porque não sabe quando é que passa o próximo episódio, não é? rs,rs,rs. Nossa época foi difícil, não tinha quase material para pesquisa, sequer para informações. Eu lembro que gastei muito dinheiro ( que eu nem podia gastar) em revistas especializadas importadas e nacionais. Era fanática mesmo e qualquer publicação que surgia lá ia eu, deixar de comprar uma coisa pessoal para comprar a tal revista. Tenho muita coisa guardada aqui e adoro revisitar estas publicações de vez em quando. Quanto a CM, pena que vc perdeu o tesão pela coisa, mas também sei que é muito por sua causa que a página chegou até onde chegou! Obrigada por tudo!! Beijo carinhoso!

  4. Artigo excelente, parabéns. Sou “novato” em CM, comecei assistindo na Globo em minhas madrugadas acordado e me apaixonei pela série (mesmo dublada). Até que não resisti e comecei a ver do inicio. Estou no fim da quarta temporada e cada vez mais apaixonado, senti muito a saída de Mandy Patinkin, a gente acaba virando membro da equipe e ele era um “super pai”. Por tudo que já li, vejo que ainda vou sentir mais algumas saídas na série, mas vamos lá. Seu artigo só aumentou meu interesse pela equipe BAU, mais uma vez parabéns. Vida longa a Criminal Minds!

    • Olá, Anderson! Puxa, obrigada por seu comentário! Fico muito feliz em saber que ele só aumentou seu interesse pela série! Provavelmente você irá sentir sim as mudanças que ainda acontecerão, mas, como eu sempre digo, CM tira leite de pedra. Eles se reinventaram a cada novo empecilho, fazendo da dificuldade um motivo a mais para continuar crescendo. Espero que continue gostando cada vez mais. A décima temporada para mim foi uma das melhores! Depois, passe por aqui para dizer o que achou de todo o resto! Grande abraço!

  5. Sou apaixonada pela série… Lembro de ter assistido pela primeira vez um episódio em que um pai tinha sido assasinado na frente da filha, na verdade ficou um suspense se ele havia morrido ou não o que eu só fiquei sabendo depois, pois fiquei tão curiosa que procurei saber o nome da série e o horário que passava. Como já estava na quarta ou quinta temporada comecei a assistir na net e depois passei a gravar na tv…
    Obrigada pelo artigo!

  6. Parabéns pelo blog, muito bom! Realmente CM é apaixonante, eu assisto todos os dias e cada
    dia me apaixono mais, em quase todos consigo me emocionar muito. Os atores dão vida a todos os episódios e isso faz nos sentirmos mais próximos do que estão vivenciando.

  7. comecei assistindo os episodios por causa do bau e do spencer ,,depois de um tempo me vi anotando os pensamentos que eles descrevem no começo ou no final do episodio…hoje nao consigo deixar de assistir nenhum ..amo todos os personagens ..sou fa incondicional da serie…

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