ESPECIAL REAL LIFE SERIAL KILLERS ´- CHARLES MANSON

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Quando, em 1970, Charles Willis Manson apareceu, no início de um julgamento, com um “x” na testa, feito à faca por ele mesmo, ele explicou ao grande número de jornalistas presentes que estava se “xizando” do mundo, que estava “saindo fora”. Na verdade, naquele dia ele só estava oficializando isto. Charles Manson, desde criança, já vivia fora deste mundo de regras e leis.

Charles Manson começou a ficar famoso no final do ano anterior, quando foi descoberto o envolvimento de sua “Família” em brutais assassinatos, acontecidos poucos meses antes.

Infância e adolescência de Charles Manson

Charles Manson nasceu em 1943. Foi gerado por uma gravidez não desejada de uma garota de 16 anos, que havia saído de casa um ano antes, bebia muito e era promíscua, apesar de (ou por causa de?) uma criação religiosa bastante rígida.

Seu pai verdadeiro, Charles nunca conheceu. Herdou o sobrenome “Manson” de um homem com quem a mãe se juntou, relacionamento que durou pouco tempo.

Às vezes sua mãe sumia por dias, e o pequeno Charles Manson ficava aos cuidados da avó. A mãe acabou sendo presa, com um irmão, por roubo armado a um posto de gasolina, e Charles foi parar nas mãos de tios, também bastante conservadores.

O tio reprimia Charles, dizia que ele era afeminado – e, para “consertá-lo”, enviou-o vestido de menina no primeiro dia de aula.

Quando a mãe foi solta, continuou com sua vida anterior: casos amorosos fugazes, pulando de casa em casa, de cama em cama – supostamente, envolvia-se também com mulheres. Charles Manson conta que sua mãe chegou a vendê-lo em um bar, em troca de apenas uma caneca de cerveja, e teve de ser resgatado por um parente.

Ainda criança, Charles Manson começou a furtar, continuamente. Foi mandado para um reformatório, mas ao sair continuou com os delitos. Por volta dos 12, procurou a mãe, que o rejeitou mais uma vez. Outras vezes preso, foi parar em outras instituições. Muitas vezes fugia. Chegou a passar por avaliações psiquiátricas – numa destas, postulou-se que por trás de suas mentiras e frieza estava um garoto extremamente sensível que não havia recebido amor suficiente. Avaliou-se o seu QI, e era acima da média.

Poucos dias antes de ser ouvido para receber uma condicional, em uma destas detenções, Charles Manson sodomizou um garoto, apontando uma faca contra o pescoço do rapaz. Tinha já 17 anos. Charles relata que, nestas instituições penais pelas quais passou, já tinha sido vítima anteriormente de abusos sexuais – sendo que em uma ocasião um guarda incitou os outros garotos a violentá-lo, enquanto permaneceu masturbando-se, ao lado da cena.

Charles Manson foi então mandado para uma instituição mais segura. Não adiantou muito: lá, abusou de outros homens.

A vida na prisão

Já em outra prisão, aparentemente mudou de comportamento, subitamente: dedicou-se mais a aprender (finalmente foi alfabetizado) e estava mais colaborativo. Aos 19 pôde sair. No ano seguinte, casou e teve um filho, Manson Jr.. Enquanto isto, trabalhava em serviços de baixa especialização, pelos quais recebia pouco.

Então, para completar sua renda, roubava carros…

Foi parar novamente na prisão. Nisto, sua esposa o largou. Três anos depois, ele saiu da cadeia. Virou “cafetão”, explorando prostitutas. E, claro, ainda era ladrão. Ano seguinte, pego novamente, mas escapou com a ajuda de uma mulher que mentiu estar grávida dele. Mas após dar um golpe financeiro em uma mulher e drogar e estuprar a colega de quarto desta, foi preso. Estava com 26 anos e foi condenado a vários anos de prisão.

Descreve-se que, nesta época, Charles tinha grande necessidade de chamar a atenção para si mesmo. Era manipulador. Falava de filosofias pouco conhecidas na época, como o Budismo e a Cientologia.

Outra obsessão era o quarteto de Liverpool, “The Beatles”. Charles Manson tinha um violão e acreditava que, tendo oportunidade, seria mais famoso que os Beatles. Passava boa parte do tempo na prisão escrevendo músicas.

Aos 32, podendo finalmente ser libertado, quis recusar. Tinha passado mais da metade da sua vida em instituições e disse que não saberia viver lá fora. Estávamos em 1966.

Família Manson

Charles Manson foi obrigado a sair da prisão. Na rua, teve contato com hippies e começou a arregimentar seguidores. Muitos eram meninas bem jovens e emocionalmente perturbadas. Além disso, Manson usava de drogas como o LSD para influenciá-las. Nascia a “Família Manson”.

O já “guru” Charles Manson pregava o abandono das prisões mentais engendradas pelo capitalismo. Consta que a Família acabou por se aproximar das “ciências ocultas”, como a “Ordem Circe do Cachorro Sanguinário” (!).

O grupo acabou conhecendo Dennis Wilson, da banda Beach Boys, muito famosa à época. Tentaram explorá-lo, mas ele logo se livrou de Manson.

Em 68, a Família Manson foi parar no rancho onde se estabeleceriam em definitivo, o “Rancho Spahn”. Eles sobreviviam não só de roubar, mas também de outras atitudes pouco convencionais, como procurar comida em restos de restaurantes. Charles Manson ainda tentava gravar um filme ou um disco. Um produtor, chamado Melcher, recusou o que na cabeça de Manson seria um fato consumado: a gravação e lançamento de seu disco.

Helter Skelter

Em suas teorizações, Charles dizia acreditar que em breve aconteceria uma grande guerra racial, onde os negros venceriam, mas ficariam desnorteados, porque eram incapazes de dominar. Neste ano, os Beatles lançaram o que ficou conhecido como “Álbum Branco”, onde uma música chamada “Helter-skelter” dizia “Olhe lá fora a ‘helter-skelter’, ela está chegando rapidamente”. Então, tudo ficou claro na cabeça de Manson…

A guerra, pensava Manson, deveria começar com o acontecimento de crimes que deixassem os brancos realmente enfurecidos contra os negros. Charles e sua Família escapariam escondendo-se no deserto. Charles havia entendido, ao ler um livro religioso, que no deserto havia uma entrada para uma cidade de ouro. Após o fim da guerra racial, a Família Manson retornaria e assumiria o comando da situação. Charles era o “quinto anjo”. Os outros quatro? John, Paul, George e Ringo: os Beatles…

Como os negros não iniciaram a guerra na data que Charles achou que começariam, ele percebeu que teria que ensinar a eles o que fazer…

Sharon Tate

Madrugada de 9 de agosto de 69. Hollywood. A bela atriz Sharon Tate está grávida de 8 meses. Seu marido é o diretor de cinema Roman Polanski, que já era conhecido e está em viagem na Europa. Na casa do casal, Sharon Tate recebe três amigos – uma residência isolada da cidade, e com vizinhos distantes.

Os quatro são assassinados esta noite, por integrantes da Família Manson (Charles não participou, só ordenou)– aliás, os cinco: o garoto na barriga de Sharon Tate também morreu. Também foi assassinada outra pessoa que não estava com eles na casa, estava por perto apenas procurando pelo caseiro.

Tiros, golpes com objetos, enforcamentos e muitas facadas. Na parede, escreveram “PIG” (porco), com o sangue das vítimas.

Sharon e seus amigos morreram, podemos dizer, “por azar”. Dias antes, Charles Manson havia ido a casa à procura daquele produtor musical, Melcher, mas ele havia se mudado. Foi então que viu Tate lá e pensou que seria uma ótima vítima.

Na noite seguinte a este crime, o rico casal LaBianca foi assassinado quase da mesma maneira. Charles entrou na casa, dominou o casal, amarrou-os e saiu, chamando os outros membros para terminarem o serviço. Segundo afirmou Charles “Tex” Watson, um dos criminosos, Charles havia ordenado: “Matem estas pessoas da maneira mais cruel possível!”.

Na parede, com sangue, escreveram “WAR” (guerra). Na geladeira, “HEALTER SKELTER” (involuntariamente, a expressão foi escrita erroneamente).

A guerra iria começar…

O cartão de crédito roubado da senhora LaBianca foi deixado em um estabelecimento comercial – era para ser achado por um negro, que seria então preso e acusado dos assassinatos (o tal cartão nunca foi usado…).

Alguns dias antes destes crimes, em 31 de julho, em outra jurisdição, o professor de música Gary Hinman também havia sido morto de modo semelhante (inclusive com inscrições na parede). A polícia local prendeu um homem, que já havia passado pelo acampamento de Charles Manson. Mas o Departamento de Polícia responsável pelos casos mais recentes não quis ver a ligação entre os crimes, e preferiu achar que a morte de Tate e seus amigos estava relacionada com problemas relacionados a drogas.

Várias pessoas foram interrogadas, e o próprio Polanski foi submetido ao polígrafo (“detector de mentiras”). A mídia aproveitou-se do caso, e dizia que o casal se entorpecia, que eram satanistas, que faziam orgias.

Roman Polanki chegou a oferecer 25 mil dólares de recompensa por informações sobre os assassinos. O pai de Sharon, por sua vez, deixou a barba e cabelo crescerem e se infiltrou entre hippies e drogados para tentar obter informações. Sem resultados efetivos, as ações dos dois.

Poucos dias depois dos homicídios, um garoto achou uma arma. Era a utilizada nestes crimes.

Somente em outubro investigadores chegaram ao Rancho Spahn, cenário de realização de filmes de faroeste, nos anos 20. O local ainda parecia uma cidade do Velho Oeste. Lá morava toda a Família Manson, que chegou a ter até 50 pessoas. Mas os agentes estavam atrás deles por outros motivos – haviam queimado um equipamento, em uma estrada, por obstruir o caminho dos bugues na planejada fuga para o deserto.

Uma das pessoas a ser presa nesta batida policial foi Susan Atkins, por suspeita de envolvimento no primeiro assassinato, de Melcher. Em novembro ela falou à colega de cela que tinha participado da morte de Sharon Tate. Susan tinha um comportamento incomum na cadeia: cantava, dançava, ria sozinha. Dizia que seu amante, Manson, era Jesus Cristo. Parecia pouco preocupada com qualquer coisa.

O julgamento de Charles Manson

O julgamento começou no meio de 1970. Foi quando Charles com o “x” na testa e disse à corte que ela não tinha jurisdição sobre ele porque tinha “xizado” a si mesmo do mundo. Vários outros membros da Família também fizeram o “x”. Atitudes como esta faziam aumentar o espanto e a curiosidade do público.

Manson fez chegar até membros da Família ameaças de morte. De fato, uma moça chegou a ser quase morta. Quando evidências eram apresentadas, Charles tentava manipular, desviar a atenção para si mesmo. Chegou a dizer ao juiz que alguém deveria cortar a cabeça deste.

A fala da acusação durou 22 semanas! Durante a defesa, Manson teve conflitos com seu próprio advogado, que acabou “desaparecendo”. Havia sido assassinado e depois um membro da Família confessou o crime.

Em janeiro de 71, finalmente, o júri iria tomar suas decisões. A segurança foi reforçada, porque um membro da Família havia roubado granadas e feito ameaças.

Manson, Susan e mais dois membros da Família foram considerados culpados. Posteriormente, mais um recebeu o mesmo veredito.

Linda Kasabian, outra integrante da Família, ganhou imunidade no julgamento ao aceitar colaborar na acusação.

Quando da deliberação da pena, que ocorreu apenas em março, Manson e suas garotas apareceram de cabeças raspadas. Todos os quatro receberam pena de morte. Foi o maior, o mais caro e o mais midiático julgamento nos EUA até então.

Manson escapa da pena de morte

Contudo, ainda em 1972 a pena de morte foi abolida no estado da Califórnia… As penas foram transformadas em prisão perpétua, com possibilidade de condicional.

Na época, Charles virou uma espécie de celebridade, com muita gente o defendendo. Virou, depois, objeto de filmes, livros, músicas e até ópera.

Segundo o promotor do caso, Bugliosi, “hoje, quase todo grupo minoritário e rejeitado da América, dos satanistas aos neonazistas, encampou Manson e os venenos de sua virulenta filosofia. Ele se tornou o ícone espiritual deles.”.

Em 1971, seis membros da Família tentaram roubar 140 armas de uma loja, e foram presos. O objetivo era tentar resgatar Manson.

A filosofia de Charles Manson

É interessante a discrepância entre o comportamento, hoje, de Charles e do restante da Família. Nenhum dos outros nega que tenha participado dos fatos, e todos falam em arrependimento. Manson, ao contrário, nega qualquer participação nos eventos. Não seria, portanto, um serial killer, já que nunca matou ninguém…

Em uma entrevista concedida a um programa de TV em 1981 (de conteúdo semelhante a todas as outras concedidas antes ou depois desta data, por sinal), ele fala bastante:

* sobre a liderança que exercia: “Não sou a droga de líder de ninguém e não sou seguidor de ninguém. Eu disse: ‘Façam o que vocês quiserem.’”;

* sobre o “Helter Skelter”: “Era apenas uma música que algumas pessoas cantavam!”;

* sobre a dor que causou: “Eu costumava ter que me deitar e tinha minha bunda invadida até eu não poder andar. Me fale sobre o que é dor… A dor não é ruim, é boa. Ela ensina coisas a você…”;

* sobre sua personalidade: “Eu nunca pensei que fosse normal. Nunca tentei ser normal. Eu não sei nada sobre o que é ser normal. Passei a minha vida inteira na cadeia, cara.

* sobre o egocentrismo: “Eu não gosto de receber atenção. A maioria das pessoas inseguras precisa de atenção. Eu não.”;

* sobre os crimes: “Eu não violei a lei. O juiz sabia disso. Mas as pessoas não queriam ouvir isso. O juiz lavou as mãos. (…) Só porque você foi condenado em um julgamento, isto não quer dizer que você é culpado de alguma coisa.” – neste momento da entrevista, Charles Manson fica irritado com o entrevistador, por ele acreditar em tudo o que leu, e diz que ele parece um “advogadozinho”;

* sobre o assassinato do professor de música: “Eu apenas cortei a orelha dele.” – e afirma que teve motivos para isso, mas os explica de maneira bem vaga;

* sobre seu envolvimento no caso LaBianca: “Nada é ‘sim’ ou ‘não’.” Aqui Charles enrola bastante e não responde, começa a falar até sobre a preservação de baleias…;

* sobre o plano de matar outros artistas: “Se eu quisesse feri-los então eu deveria simplesmente não assistir a seus shows.”;

* sobre sua vida atual: “A prisão está na sua mente, cara, como você bem sabe. Se me perguntam ‘Você está preso?’, eu digo ‘Não, eu simplesmente estou aqui.’”.

Após a entrevista, o repórter falou da impressão que teve de Charles: “Eu acho que ele tem tanto medo de nós quanto nós temos dele…”.

MANSON em CRIMINAL MINDS

Por ser um Serial Killer tão famoso, existem várias referências a ele na série, dentre as quais se destacam os seguintes episódios:

1 X 16 – The Tribe – Uma série de assassinatos ocorre, tentando culpar os índios Apache que viviam na localidade. A lavagem cerebral feita nos jovens seguidores desta seita é a mesma feita por Manson e, no final, o líder da seita, como Manson, não matou ninguém usando suas próprias mãos, apenas convenceu seus seguidores a fazê-lo.

5 X 07 – The Performer – Após solucionar as mortes de várias garotas, aparentemente ligadas a um astro de rock com fama de vampiro, no avião, Rossi diz não entender a fixação das fãs, e entre brincadeiras, revela que o álbum favorito dos Beatles de Hotchner era ‘The White Album’, no qual temos a música ‘Helter Skelter’. Hotch retruca dizendo que só porque Manson o usou não significa que ninguém mais pode gostar. Temos também um vislumbre da inocência de Reid, quando ele diz que é por isso que prefere Mozart e, desse modo, está livre de culpa por associação. Todos riem, e Emily pergunta se ele já assistiu Laranja Mecânica (onde o assassino é fã de Mozart). Com a maior cara de inocente, o bom doutor responde que não, e fica com cara de não ter entendido a pergunta.

5 X 18 – The Fight – Ao visitar uma prisão para interrogar um condenado, Rossi revela ter estado lá anteriormente, ocasião em que teria entrevistado Manson.

7 X 15 – A Thin Line – Talvez a maior referência feita a Manson, desde The Tribe. Reid é quem faz a comparação entre Manson e o candidato a prefeito Clark Preston, que estava tentando iniciar uma guerra entre brancos e negros com o intuito de se eleger.

Manson também é citado nos seguintes episódios: The Popular Kids, Somebody’s Watching, Won’t Get Fooled Again, Memoriam, Outfoxed e A Thousand Words.

Curiosidade – Estando na prisão, Manson, entre outras coisas, escreveu uma canção entitulada ‘Look at your game, girl’, que foi gravada pela banda americana Guns N Roses, em seu álbum ‘The Spaghetti Incident’ , causando uma grande polêmica. Para conseguir acertar as coisas, o líder da banda, Axl Rose, declarou que seria doado tudo que fosse arrecadado relativo a esta música para as famílias das vítimas de Manson. Esta música pode ser conferida aqui: http://www.youtube.com/watch?v=W58ld80aQss

 by Michelle Ferreira Sanches

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